segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Menina, Moça, Mulher

É menina, moça, mulher.
É as fases da lua,
Em uma gentileza crua,
De um sábado qualquer.

Menina, presa em sua sina,
A de se desencontrar a cada esquina.
Quando a Vida lhe surgiu,
Corajosa, de cabeça erguida, seguiu.

Moça, resolvida a se encontrar,
Colocando cada coisa em seu lugar.
Que batalhou a vida inteira,
Mas que, menina, queria mais brincadeira.

Mulher, decidida, que sabe o que quer,
Construída, inteligente, e da Vida exigente.
Sabe para onde vai e sai da frente!
Mas que, moça, cogita o diferente.

Sem frescura, faz a Vida onde ela estiver,
Dança conforme a música que preferir.
E ai daqueles que tentarem interferir!
Graça de Menina, maravilha de Moça, delícia de Mulher.

domingo, 21 de maio de 2017

Eu, a Moça, e a Saudade Por Vir.

Moça, como é difícil encontrar algo,
A busca parece nunca cessar.
E há tantas coisas que descartamos,
Por não conseguirmos nunca enxergar...

Sempre busquei o que estava mais longe,
Pois não era a paz que eu procurava.
E seguia em frente, me frustrando no novo,
Pois este não era o que se calculava.

E a Vida passou, e muito aprendi,
Sobre como ser eu mesmo, diante de ti.
E ser eu tentei, para mim e para todos,
E mais uma vez me provei dos mais tolos.

Esqueci de ser eu mesmo,
Para me fantasiar de quem achei que seria.
Vivendo para os outros,
Cheguei a pensar que a felicidade enfim, eu teria.

E a Vida seguiu, e abri os meus olhos.
E me encontrei assim, perdido de mim,
Buscando os espólios.

Hoje sei que pouco conheço,
Que muito vivi, em cada tropeço.
Aprendi a me escutar,
E mais ainda, a me questionar.
Aprendi a me ler,
Olhar-me no olho e assim saber.

Tento assim sentir meu caminho,
Tateando no escuro, mas nunca sozinho.
Mesmo que eu nem sempre seja minha melhor companhia,
Não abandono mais meu único guia.

E onde entra você nessa história?
"Por que me recita essa longa memória?"
Pelo mesmo motivo que acabei de relatar,
Serei a mim fiel, não me deixarei calar.

Conheci uma moça que me prendeu a atenção.
Me olhei nos olhos, senti a emoção.
Na minha cabeça tudo é ciência,
Sinto e analiso cada experiência.

Cansei de traçar rumos incertos,
Cansei de procurar lugares desertos.
Hoje busco, apenas, viver e aprender.
Retalhar minha colcha e construir o meu ser.

E senti seu olhar,
Enxerguei ao te ver,
Que você é seu lar,
Que parece saber.

Mesmo que seja inconsciente,
Mesmo que ache que não,
O seu sorriso a mim não mente,
Em seus olhos, ganhei a noção.

Eis então minha maior aposta,
Minha singela intenção,
Minha humilde resposta,
Para ganhar sua atenção.

Assim talvez, tenha vontade de me conhecer.
Olhar nos meus olhos e quem sabe se ver.
Assim talvez se crie uma saudade,
Que dure o tempo que for, mas seja de verdade.

quinta-feira, 27 de abril de 2017

Ah, se eu pudesse!

Valores, números, sempre errados.
Tratamentos escusos de seres reclusos.
Relações desiguais, forjadas no interesse, nada mais.
Negociatas de milhões, confiscando quinhões, ignorando emoções.

E quem sente é fraco, na mesa de almoço é o mais cobiçado prato.
E o sofrimento é mascado, é saboreado, e cuspido.
E o mínimo, despido, é desconsiderado.
Ou se tem muito, ou se é comprado.

O que se valoriza é a mercadoria, mas apenas se ela for fria.
Se tiver sangue, e quente, é tratada como gente.
E gente, bem se sabe, tem tanta que nem cabe.
Não está no pensamento, e claro, não cabe no orçamento.

Sangue, só se for o frio, o azul, o vazio.
Aí sim é apreciado, tal qual iguaria no mercado.
Ou se nasce com ele, ou se compra, se puder.
Se não puder, azar o seu, alguém tem de construir o coliseu.

Mas logo isso passa, se esquece.
Ah, se eu pudesse!
Mas só pode quem tem.
E eu, bem, eu não tenho.

terça-feira, 18 de abril de 2017

Homenagem

Sua Linda, pois minha não és.
És apenas, Linda, dona dos próprios pés.
És sua e de mais ninguém.
Não a tenho mais do que me tem.

De cabelo comprido, curto ou mais curto ainda.
Linda, careca, boneca, mulher, menina.
Simples, sem tempo ruim, sabe viver sem frescuras.
Direta, sem rodeios, sabe ir atrás do que procura.

Para ela, o mundo deu muitas voltas.
Viveu de tudo um pouco e sempre se virou.
Andou por algum tempo, sem querer, por ruas tortas.
Pegou caminhos sinuosos, e os endireitou.

Às vezes se questiona sobre o futuro,
Pois sabe bem como o destino pode ser duro.
Às vezes se prende demais ao passado,
E revive as coisas que deram errado.

Mas sabe bem que a Vida é mais do que isso,
Sabe que pode viver sem grande compromisso.
E monta seus sonhos na simplicidade.
E assim viverá a felicidade.

Enfrentando seus medos e receios,
Encontrará seu futuro sem rodeios.
E vivendo a Vida de forma aguerrida,
Será, aonde quer que for, sempre querida.

Findo aqui minha singela homenagem,
Cumprindo esse papel de humilde emissário,
Para entregar esta pequena mensagem,
E lhe desejar um feliz aniversário.

terça-feira, 28 de junho de 2016

Ensaio Sobre a Cegueira

Eu mesmo ando dormente.
Sinto algo incômodo, latente.
Um vazio que me toma quando saio de mim.
Quando olho em volta e vejo tudo assim.
Um vazio que me assola quando volto para dentro.
Que transborda minha mente, em meu peito.
Um sentimento crescente, incessante, indecente.
Uma enchente que me lava a alma e leva embora a alegria.
Deixando apenas uma única vontade, a de nascer outro dia.
Pois hoje só se separa, só se dispara, mas nunca se para.
E o amanhã se escancara, se encara, mas não se repara.
E fico no frio, que vem do vazio e que me deixa no fio da navalha.
Que me corta carne, me corta o osso, dilacera a mente, mas deixa o caroço.
Se não, é o calor, que espalha o torpor, cozinha a flor, junto dessa gentalha.
É mesmo difícil para eu entender, e mais doloroso ainda de ver.
Toda essa descrença, todo esse sacrifício, todo esse sacrilégio.
Eu sinto o ódio, penso a Ignorância, e vivo a morte.
Tudo que espero é algo menos severo, um quê de sorte.
Mas de tanto esperar, deito gelado, até adormecer.
E de tanto dormir, de tanto sonhar, não vejo viver.
E vivo cansado, e vejo calado esse doer.
E sigo culpado, olhando pro lado, sem nunca ceder.
E ando para frente, olhando essa gente, querendo morrer.
Mas isso não é Vida, não é a saída, é apenas sofrer.
Quem sabe algum dia, talvez eu acorde.
Quem sabe algum dia, o mundo recorde.
Quem sabe algum dia, você...
Quem sabe nós...
Quem sabe...
Quem...