quinta-feira, 29 de maio de 2014

Guerra

Guerra interna, guerra eterna. O certo, o errado. O meu certo, o meu errado. Minha mente em constante rebeldia. Para cada decisão, uma guerra fria. Uma luta atemporal, valendo o controle mental. Briga racional entre os sentimentos e o sentimental.

Nada

Cabeça cheia, cheia de nada... Cabeça vazia, vazia e desfocada... Erros. Mais erros que acertos. Erros que consomem tempo, Erros que consomem alma. Vivendo e aprendendo, é o que dizem. Vivendo é garantia, já que morto não estou. Mas sigo aprendendo, se errando por aí vou? Vivendo e errando talvez seja mais apropriado. E tudo bem, tudo certo. Água mole em pedra dura, tanto erra até que acerta. E assim sigo errando, sigo vivendo. E a cabeça continua cheia. E com tanta coisa, nada. E o tempo todo, tudo. E ainda assim, nada. Não é confusão. Não é nada.

domingo, 13 de abril de 2014

Passagem

Carrego uma ferida em meu peito,
Que de doer e sangrar me deixou caduco.
Machucado que não sara de nenhum jeito,
Quando a casca forma, a arranco, a cutuco.

Uma ferida tão recente, dolorosa e latente.
Que me marca e me queima.
Que em meu coração reina.

Um vazio profundo e inesperado,
Um anseio desesperado, nunca imaginado.
Um sentimento incômodo, sem premissa.
Uma razão irracional, pensamento, ideia fixa

Um futuro impossível e inexistente.
Em cada dimensão ele está ausente.
Um buraco negro, enorme e denso.
Que me consome se sinto ou se penso.

Que posso eu senão me conformar?
Como não me deixar levar?

Com a cabeça na superfície, tento em vão respirar.
Afogado em meus devaneios, me pesa o mundo inteiro.
A mente travada, o tudo, o nada, não consigo voltar.
E tudo se confunde, o passado imaginado e o verdadeiro.

Afogado em fantasias reais, realidades ideais, me paraliso por inteiro.

Sempre em frente, é o único jeito.
A direção muda, mas nunca o sujeito.
Na incerteza da Vida, só me resta tentar.
Sem mais desculpas, sem mais pesar.

Para o alto e avante.
Sem memórias de elefante.
Pois o que valeu, agora faz parte de mim.
Não preciso lembrar do que me fez assim.
Guardar o que gostou, podar o que sobrou.
E ai de mim, se não gostar do que agora sou.

Pois se não gosto, preciso me reinventar.
Deixar o que não me gosto, parar para respirar.
E dia a dia, a paz há de retornar,
E dentro de mim, a felicidade tornarei a encontrar.
Assim, deixarei de pedir ao universo, deixarei de esperar.
E assim tornarei a sorrir alegre e, triste, tornarei a chorar.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Homenino

Um Menino e nada mais. Com trejeitos, desfeitos e refeitos, descritos e não aceitos.
Menino, assina teus erros e acertos, qualidades e defeitos.
Um Homem e nada menos. Com vontades e anseios, inteiros e aos meios.
Desejos decentes, incoerentes, recentes e ausentes. Vontades, simplesmente.
Homenino. Sabe o que quer, mas não sabe onde está. Sabe o que deve, mas não sabe o que faz.
Rapaz, moleque. Antes, depois e a cada instante. Uma mistura confusa e inconstante.
Pensante, às vezes até demais, e ainda assim, por vezes até de menos.
Vazios abissais, buracos negros colossais. Sentimentos claros, pensamentos escuros.
Comandam a mente com vigor intransigente. Fazem das dúvidas certeza, complexa é a destreza.
Então faz o teu melhor, mas não esquece o teu pior. Pois acertos nada são sem erros.
E com tanto pela frente, constante é o nada em mente.
Mente, coração. Sente pela razão. Erra com precisão calculada, impensada.
Vontade desvairada de sofrer em vão.
Memória de elefante para os erros, tão berrantes, que o assolam na escuridão.

Ah, essa Vida!

Ah, essa Vida!
De lembrar e de esquecer.
De deixar e de perder.
De amar e de sofrer.

Fino equilíbrio,
Necessário como o canto do canário,
Gritante como o canto do berrante,
Que de tão importante,
governa cada instante.

Ah, essa Vida!
De alto e baixos.
De bons e ruins.
De conflitos e afins.

Sem medo da coragem,
Que retarda nosso fim.
Triste é o dia se o canário silencia.
Nó na garganta se o berrante já não canta.

Ah, essa Vida!
Fica tão ruim,
Se você a fizer assim.
Se a resposta aos conflito for um ódio sem fim.

Essa Vida que se torna uma bobagem,
Se vivida sem coragem,
Pra mudar o errado, o escuso e o mal contado.

Ah, Vida essa!
Que demanda cuidados,
Carinhos e agrados,
Aos seus filhos mal criados.

Ah, essa Vida!
Que estranha, não se acanha.
Que é Imperfeita e desastrosa,
Em sua longa estrada sinuosa.

Mas mesmo que estranha me pareça,
Mesmo que por vezes seja de si tão avessa,
Há no todo um sentido.
E mesmo que dele eu me esqueça,
Que não esteja na minha cabeça,
Está nas estrelas escondido.

Mas sentido já cansei de procurar.
Vou viver, vou viajar.
Vou aprender e vou ensinar.
Tudo o que essa Vida há de me mostrar.

Ah, essa Vida!
Dela, nada quero e nada espero.
Só pretendo ser sincero.
Com os outros e comigo mesmo.
Assim perco menos tempo,
vivendo essa Vida à esmo.

Permito-me então o encanto,
De cada dia, de cada canto.
Pelo menos é o que pretendo,
Imperfeito e com remendos.
E é isso o que prego,
Ao sensível e ao cego.