terça-feira, 3 de dezembro de 2024

Me Desculpe, Estou Arrependido (de ter sido pego)

 Me desculpe se errei!

Quero te mostrar que chorei!

Quero dizer que percebi,

Que ao errar, machuquei a ti!


Essas coisas que pensei serem normais,

Me disseram, que eram prejudiciais.

Nunca desejei nenhum sofrimento,

Quem me conhece sabe, não é meu intento.


Quero dizer a todos que pretendo mudar,

Que entendi que hoje preciso pensar.

Antes de falar qualquer coisa assim,

Preciso saber se vai ser algo ruim


Não defendo os valores proferidos,

E hoje estou arrependido!

Já doei, pois meu coração é de caridade,

Quero dizer: a culpa é da sociedade!


E quero lutar por essa mudança,

Ao menos, enquanto estiver na lembrança.

Pois não quero que achem que sou assim,

Que saibam que isso também vem de mim.


Quero esclarecer para todo o mundo,

Não sou responsável, lá no fundo.

Estou muito chateado pelo resultado,

Mas preciso dizer, que não sou o culpado!


Eu era assim e nunca reclamaram!

Fiz muitas coisas mas nunca me culparam.

Foi uma piada da boca para fora!

Porque essa revolta só agora?


Tiraram um comentário do contexto,

Mas hoje procuram qualquer pretexto.

É essa cultura de cancelamento,

Que transformou a sociedade nesse tormento.


Nunca fui um privilegiado,

Sempre trabalhei pelo resultado!

Passei por muitas dificuldades,

Tenho testemunhas das minhas bondades!


Houve outros casos assim,

E quero que saibam, não veio de mim!

Somos todos vítimas dessa mentalidade,

Melhor seria cobrar a sociedade!


Ufa, já fiz o vídeo que era importante,

Que minha "publi" disse ser berrante.

Era isso que precisava falar,

Que eu pretendo me reformar.


As pessoas tem memória de peixe,

Não vai durar a menos que eu deixe.

Melhor ficar quieto por um tempo,

O próximo caso é meu alento.


Logo surge alguém falando igual,

Aí me diluo no percentual.

Era só dizer que enxerguei a situação,

Depois posso manter minha posição.


Não para que todos vejam, é claro.

Basta aparecer triste no programa do Faro.

Daqui para frente, ninguém me estuda,

Não vão perceber que a atitude não muda.


Quem sabe foi até bom!

Tive destaque, algum frissom.

Basta me vender como pessoa mudada,

Manter minha atitude, só não falada.


Obrigado sociedade imediatista!

Fingir uma mudança é sempre bem quista!

Agora sou exemplo de uma reforma,

Mesmo que eu continue mantendo a norma.

sexta-feira, 15 de novembro de 2024

Selfless Thoughts of a Selfish Existence

 So much time, and no time at all.

Always behind, outside the door.

So much feelings of loathe and hate.

Too much time wasted on fate.


Wasting our lives waiting for the day,

When it will matter something we say.

Waiting a moment to be struck with light.

Is there really anything worth the fight?


Is there salvation in any path at all?

Is there meaning to any rise and fall?

What is the moral in any story?

What life spent is worth the glory?


Year after year we buy more time,

But whose really is it to rise and shine?

If most lives are always the same,

What is to gain in the end of the game?


If happiness depends on misery,

Will you enjoy it in complicity?

How can one turn the eyes away,

And pretend there is nothing to say?


Can we really feel that much indiference,

And keep living as if it made any sense?

Is it our nature to live in disregard,

To live a life that tear balance apart?


Is what we do really our own?

Does it not affect all that is known?

What do we know if not what it is told?

What is the real worth of gold?


Who are the ones keeping the history?

Who can decide what is or not gory?

How much on it's own existence one need to be,

To see only what they want to see?


How can one be other than an animal?

Are we any more than any cannibal?

If we keep eating others figuratively,

Are we any better unequivocally?


So what are you willing to do,

To make any meaning come true?

Will it make anything allright?

Will it justify the absence of light?


Maybe we will never make sense,

Maybe now is all we'll have spent.

Maybe we can go on never thinking,

Maybe enjoy without even blinking.


Meaning or not we are right now,

So what things are worth our head to bow?

Whose will are we living up to serve?

Who has to kill when we don't have the nerve?


Who can decide what is best for you,

If you don't even see what you do?

How powerfull can someone be,

If right now is everything we see?


Who is to say what is right from the start,

If hearts and minds are so spread apart?

How can we think ignoring our feelings?

How can we believe we are more then just beings?


Some say that what we do is natural,

In some deggree I think that is factual.

Some say we are just a cancer,

Nothing but nature's background dancer.


For me that is just an excuse,

Hides the responsibility to be of use.

For even though there's little that matters,

There is no reason not to try and do better.


In the end, the question lies in relativity.

How much can one live in anonimity,

While doing what he thinks he must,

Without feeling someone else's disgust.


Even nowadays with almost no privacy,

There is rarelly room for real intimacy.

We live our lives for the others to see,

Without asking what we want to be.


Through other lives we've always felt heat,

Always fantasizing what goes on beneath.

But no matter what time we were born,

We can only look at us with scorn.


A mirror might give us some hard perceptions,

It ain't easy acknowledging our own reflection.

So we construct an image of ourselves,

That would make envy even for the elves.


And we have made it so convincible,

That the thought itself became invincible.

And any change freezes us to death,

And become an enemy to our very breath.


So what do we need to live with dignity?

How complicated can be simplicity?

What do I need from life's shelf,

To finally be an ally to myself?


I have wished to have the answer,

To make my existence less denser.

I thought tales of imense granditude,

To validate every feeling, every atitude.


But the question always persists,

Because fate do not exist.

We are but masters of our own destiny,

In past, in present, in eternity.


We are what we fight for our own,

We are not what masters said we shown.

We are every second of our lives,

The small existence that affect the tides.


We are choices from big to small,

But never bigger then the inevitable fall.

We are not more then we will ever be,

We are but animals without dignity.


We are a pixel on a pale blue dot,

That our existence needs not.

If we aren't for ourselves and all there is,

Ain't no point in debating what is.

terça-feira, 27 de junho de 2023

O Teatro da Vida

Que o acaso seja gentil, inocente e pueril.
Que a vida seja delicada, mesmo inexata e complicada.

Já que o mundo não é nosso,
Faço o bem, sou quem posso.
Pois sendo bem, eu fico bem.
E sigo assim, pois me convém.

Mas lembre-se sempre de lembrar,
Disso, é bom não se esquecer,
Você pode se curar,
Toda vez que adoecer.

Não é fácil, isso eu bem sei,
Mas com ajuda me encontrei.
Algumas coisas, posso fazer sozinho.
Mas é bom poder contar com um vizinho.

Acho que sós, não nos bastamos,
Ja que sós nunca estamos.
Fomos muitas pessoas, hoje somos muitas versões.
Podemos ser a calma, com conflitos e confusões.

Quando se busca tranquilidade e clareza,
Socializar é uma certeza.
Pois é necessário sair dos próprios padrões,
Para refletir e sentir as emoções.

Procuremos então ser apenas,
Alguém presente em todas as cenas.

terça-feira, 26 de novembro de 2019

O Que Não Deve Ser Nomeado

Elevadores, vidros de carros, janelas de trem, vitrines de lojas.
Espelhos expostos.
Refletir sem pensar, mostrar o não olhar.
O que se vê não se enxerga.
O que se vê se registra,
Mas não se reconhece.

Meus olhos não mais buscam meu reflexo,
Para evitar o desconforto de não se identificarem com o que se vê.
Pois o que se vê não é o que é, não é o que sou.
Não sou quem sou.
E saber o que represento, me envergonha.

Em cada olhar não cruzado, cada olhar desviado,
Se escancara a verdade incontestável.
Sou o que sou, mas não quem represento,
Ao menos ao primeiro olhar.
Esse é meu lamento.

Tantos erros, tanta história.
Tanta repetição, tanta memória.
E Vida que segue.
E erro que se negue.
Pois se não sei, não me persegue.
Mas eu sei.

O bem e o mal.
Tudo se confunde.
Linhas estreitas, linhas tortas, linhas mortas.
Sem limites.
Tudo que se afunde.
E não quero saber.
Pois ignorante, sigo feliz.

Feliz?
Talvez menos triste.
Menos miserável.
Mas feliz?
Feliz para fora.
O contrário de "in" feliz.
Hahaha.

Rio.
Rios de lágrimas.
Banhos em águas pesadas.
E nunca estou limpo.
E nunca estarei.
Pois sou quem sou,
Mas também sou quem represento.

Águas carregadas.
Cheio de Mim, cheias de tudo.
E sigo criado e mudo.
Acessório.
Ferramenta.
Móvel.
Criado.
Mudo.
Imóvel.

quarta-feira, 20 de novembro de 2019

lindo, trágico E Real

Eu, como um humilde biólogo, não especialista em nenhuma área, mas conhecendo o Ser Humano como somos, como estamos e como nos comportamos,  com o que nos importamos enquanto civilização, sem considerar fronteiras, países, pessoas, sem considerar aonde vivemos, declaro minha consciência plena no final dos tempos como conhecemos.

É difícil admitir, é difícil entender, é difícil aceitar. Mas nossa soberba carnal nos fez acreditar que, através da consciência que nos foi dada através de muitos anos de evolução, éramos superiores e externos ao meio natural. Passamos a acreditar que poderíamos controlar, moldar e prever tudo. E assim, por sermos "Senhores do mundo", conseguiríamos sobrepor qualquer dificuldade com artimanhas e fé.

Acreditamos que poderíamos controlar a natureza, moldar seu caminho e sua magnitude da forma que bem quiséssemos, para os fins que achávamos serem os corretos, para todos ou para poucos, enquanto seres existentes. Acreditamos que poderíamos colocar a natureza e toda sua força aos nossos pés. E assim como Ícaro, chegamos perto demais do Sol.

Esquecemos que somos apenas peões, seres existentes em um Mundo, em um Universo, dos quais não temos controle pois não somos superiores, não somos magnânimos, não somos escolhidos, não somos alheios. Somos mero fruto de um processo evolucionário que nos conferiu a possibilidade de viver nesse mundo de uma maneira maravilhosa e diferente dos seres "sem consciência". De "Viver" em um mundo de uma forma plena e verdadeira. E por não valorizarmos o meio no qual vivemos, por não reconhecer a importância de todos os seres que vivem conosco, mesmo apesar de todo o conhecimento adquirido por milhares de gerações, daqui para frente seremos lavados da Terra como pulgas, até que o sistema volte a encontrar algum equilíbrio, alguma maneira de desfazer todo o mal que fizemos e que fazemos enquanto sociedade.

Triste termos escolhido voltar nossa consciência ao nosso ego, nossas necessidades mais mesquinhas, criadas pela ganância, pelo poder, por ser "merecedor" e por isso melhor do que nosso vizinho. E passamos a desdenhar o meio que nos possibilita Viver, que sempre nos deu a chance de nos conectar com a energia que sempre nos moveu enquanto seres existentes. Pouco importa a explicação dada para essa energia. Mas desde sempre essa explicação, por motivos óbvios, era interpretada de maneira diferente e, ao invés de nos conectar e fornecer explicações maiores e mais fortes, nos separou, e se tornou motivo de disputas infrutíferas e desastrosas. Nos alimentamos de crenças e sistemas que beneficiam não o mundo em que vivemos, mas apenas alguns seres que vivem no Mundo, nos segregando não só entre nós mesmos, mas a todo o "resto" do Universo.

Essa arrogância, entendida por poucos, ensinada por poucos, mas propagada por eras, nos colocou na situação que nos encontramos hoje. E o mais triste é que uma parte muito pequena do Mundo realmente entende onde estamos, e quais as reais consequências disso. Milhares de espécies extintas, ou em extinção, ou ameaçadas, simplesmente porque decidimos não nos importar ou não entender. Todo um equilíbrio construído por milhares de centenas de anos, totalmente ignorado por motivos de crenças e ideologias insensíveis à real importância do Mundo: a Vida de tudo, de todos os seres e da sintonia em que eles vivem.

Em primeira instância, não se pode condenar isso, pois eram questões "infundadas" e espirituais de um povo consciente, porém ignorante. Mas hoje, com todo o avanço e conhecimento científico, continuamos a degradar, extrair e destruir sem nenhuma consciência, sem nenhuma preocupação, pois a arrogância de "sermos os seres escolhidos" nos confere uma invencibilidade irreal. Somos parte do Mundo, nada mais e nada menos. Nossas ações afetam tudo à nossa volta. Somos responsáveis pelo que causamos, e estamos sujeitos às consequências dessas decisões.

Me incomoda ser um "profeta do  apocalipse", mas tendo em vista nossas faltas de ações para remediar o mal que cometemos em todo o Mundo, nossa falta de entendimento do sistema como um todo, não me resta senão reconhecer nossa derrota enquanto seres "inteligentes". Antes fôssemos todos índios "ignorantes" e respeitosos ao nosso meio. Antes nos importássemos minimamente com nossos iguais, assim como nos importamos com nós mesmos. Antes agíssemos como seres pertencentes à esse Mundo, e não donos dele.

Mas agora é tarde. Ao menos na minha visão. O mal está feito. Por mais avançada e inteligente que seja a sociedade de qualquer país no Mundo, já degradamos os meios naturais de forma que, dada nossa população, dada nossas necessidades, dado o nosso meio de Vida, já não conseguiremos subsistir enquanto espécie. O Mundo já não nos cabe. Não me julgo ninguém, para profetizar o futuro. Falo apenas das coisas como vejo. E apesar de o Mundo ter mudado drasticamente nos últimos tempos, nós não mudamos. Nós continuamos achando que somos "senhores do nosso destino", e que dependemos apenas de nós mesmos para existir.

Uma pena termos desperdiçado a maravilha da consciência com coisas tão mesquinhas como o Ego. Quem sabe o que o futuro realmente nos reserva. Mas se você acha que o que importa é aonde você mora, e qual telefone tem, sinto te dizer que em breve terá um choque de realidade. Não há mais tempo para fantasias, não há mais tempo para brincadeira. O Mundo vai cobrar nossa existência, e o vestibular não vai discernir entre casta, entre raça, entre sexo. Quem sabe se iremos conseguir existir como espécie depois de tudo que causamos.

segunda-feira, 18 de março de 2019

O ser

Ando com dificuldade para sair.
Ando preocupado em me servir.
Preciso ser eu, mas eu, não consigo.
Pois se eu fosse eu, o seria comigo.

Já não busco então, pelo sentido.
Já não me apego mais à vontade de ser ouvido.
E sigo vivo, sigo eu, partido.
Sinto, ouço e partilho, comigo.

Não sei mais o que querer.
Não sou mais quem deveria ser.
Não sei mais como fazer.
Não sou mais do que o arder.

O confronto eu evito.
No conflito me faço aflito.
Então não escrevo meu escrito.
Então não vivo o meu dito.

Sou muito, e muito pouco.
Sou tanto, sou só espanto.
Sou nada mais, e nada menos.
Sou apenas, incerto, deserto.

E sigo só pois é o que me convêm.
E sigo apenas, na inércia do desdém.
E desdenho do tempo, eterno e escasso.
E me vejo, evidenciando o embaraço.

Mas no momento é o que faço.
Ser no agora o que eu tenho.
Ser tão pouco, e talvez menos.
Mas agora é o que sou.
Sou, aos gigantes, apenas mais um dos pequenos.

quarta-feira, 7 de março de 2018

Cantiga - Sá de Miranda

Comigo me desavim,
No extremo som do perigo;
Não posso aturar comigo
Nem posso fugir de mim. 


Com dor da gente fugia
Antes que esta assi crecesse;
Agora já fugiria
De mim se de mim pudesse.

Que meo espero ou que fim
Do vão trabalho que sigo
Se trago a mim comigo
Tamanho imigo de mim?

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Menina, Moça, Mulher

É menina, moça, mulher.
É as fases da lua,
Em uma gentileza crua,
De um sábado qualquer.

Menina, presa em sua sina,
A de se desencontrar a cada esquina.
Quando a Vida lhe surgiu,
Corajosa, de cabeça erguida, seguiu.

Moça, resolvida a se encontrar,
Colocando cada coisa em seu lugar.
Que batalhou a vida inteira,
Mas que, menina, queria mais brincadeira.

Mulher, decidida, que sabe o que quer,
Construída, inteligente, e da Vida exigente.
Sabe para onde vai e sai da frente!
Mas que, moça, cogita o diferente.

Sem frescura, faz a Vida onde ela estiver,
Dança conforme a música que preferir.
E ai daqueles que tentarem interferir!
Graça de Menina, maravilha de Moça, delícia de Mulher.

domingo, 21 de maio de 2017

Eu, a Moça, e a Saudade Por Vir.

Moça, como é difícil encontrar algo,
A busca parece nunca cessar.
E há tantas coisas que descartamos,
Por não conseguirmos nunca enxergar...

Sempre busquei o que estava mais longe,
Pois não era a paz que eu procurava.
E seguia em frente, me frustrando no novo,
Pois este não era o que se calculava.

E a Vida passou, e muito aprendi,
Sobre como ser eu mesmo, diante de ti.
E ser eu tentei, para mim e para todos,
E mais uma vez me provei dos mais tolos.

Esqueci de ser eu mesmo,
Para me fantasiar de quem achei que seria.
Vivendo para os outros,
Cheguei a pensar que a felicidade enfim, eu teria.

E a Vida seguiu, e abri os meus olhos.
E me encontrei assim, perdido de mim,
Buscando os espólios.

Hoje sei que pouco conheço,
Que muito vivi, em cada tropeço.
Aprendi a me escutar,
E mais ainda, a me questionar.
Aprendi a me ler,
Olhar-me no olho e assim saber.

Tento assim sentir meu caminho,
Tateando no escuro, mas nunca sozinho.
Mesmo que eu nem sempre seja minha melhor companhia,
Não abandono mais meu único guia.

E onde entra você nessa história?
"Por que me recita essa longa memória?"
Pelo mesmo motivo que acabei de relatar,
Serei a mim fiel, não me deixarei calar.

Conheci uma moça que me prendeu a atenção.
Me olhei nos olhos, senti a emoção.
Na minha cabeça tudo é ciência,
Sinto e analiso cada experiência.

Cansei de traçar rumos incertos,
Cansei de procurar lugares desertos.
Hoje busco, apenas, viver e aprender.
Retalhar minha colcha e construir o meu ser.

E senti seu olhar,
Enxerguei ao te ver,
Que você é seu lar,
Que parece saber.

Mesmo que seja inconsciente,
Mesmo que ache que não,
O seu sorriso a mim não mente,
Em seus olhos, ganhei a noção.

Eis então minha maior aposta,
Minha singela intenção,
Minha humilde resposta,
Para ganhar sua atenção.

Assim talvez, tenha vontade de me conhecer.
Olhar nos meus olhos e quem sabe se ver.
Assim talvez se crie uma saudade,
Que dure o tempo que for, mas seja de verdade.

quinta-feira, 27 de abril de 2017

Ah, se eu pudesse!

Valores, números, sempre errados.
Tratamentos escusos de seres reclusos.
Relações desiguais, forjadas no interesse, nada mais.
Negociatas de milhões, confiscando quinhões, ignorando emoções.

E quem sente é fraco, na mesa de almoço é o mais cobiçado prato.
E o sofrimento é mascado, é saboreado, e cuspido.
E o mínimo, despido, é desconsiderado.
Ou se tem muito, ou se é comprado.

O que se valoriza é a mercadoria, mas apenas se ela for fria.
Se tiver sangue, e quente, é tratada como gente.
E gente, bem se sabe, tem tanta que nem cabe.
Não está no pensamento, e claro, não cabe no orçamento.

Sangue, só se for o frio, o azul, o vazio.
Aí sim é apreciado, tal qual iguaria no mercado.
Ou se nasce com ele, ou se compra, se puder.
Se não puder, azar o seu, alguém tem de construir o coliseu.

Mas logo isso passa, se esquece.
Ah, se eu pudesse!
Mas só pode quem tem.
E eu, bem, eu não tenho.

terça-feira, 18 de abril de 2017

Homenagem

Sua Linda, pois minha não és.
És apenas, Linda, dona dos próprios pés.
És sua e de mais ninguém.
Não a tenho mais do que me tem.

De cabelo comprido, curto ou mais curto ainda.
Linda, careca, boneca, mulher, menina.
Simples, sem tempo ruim, sabe viver sem frescuras.
Direta, sem rodeios, sabe ir atrás do que procura.

Para ela, o mundo deu muitas voltas.
Viveu de tudo um pouco e sempre se virou.
Andou por algum tempo, sem querer, por ruas tortas.
Pegou caminhos sinuosos, e os endireitou.

Às vezes se questiona sobre o futuro,
Pois sabe bem como o destino pode ser duro.
Às vezes se prende demais ao passado,
E revive as coisas que deram errado.

Mas sabe bem que a Vida é mais do que isso,
Sabe que pode viver sem grande compromisso.
E monta seus sonhos na simplicidade.
E assim viverá a felicidade.

Enfrentando seus medos e receios,
Encontrará seu futuro sem rodeios.
E vivendo a Vida de forma aguerrida,
Será, aonde quer que for, sempre querida.

Findo aqui minha singela homenagem,
Cumprindo esse papel de humilde emissário,
Para entregar esta pequena mensagem,
E lhe desejar um feliz aniversário.

terça-feira, 28 de junho de 2016

Ensaio Sobre a Cegueira

Eu mesmo ando dormente.
Sinto algo incômodo, latente.
Um vazio que me toma quando saio de mim.
Quando olho em volta e vejo tudo assim.
Um vazio que me assola quando volto para dentro.
Que transborda minha mente, em meu peito.
Um sentimento crescente, incessante, indecente.
Uma enchente que me lava a alma e leva embora a alegria.
Deixando apenas uma única vontade, a de nascer outro dia.
Pois hoje só se separa, só se dispara, mas nunca se para.
E o amanhã se escancara, se encara, mas não se repara.
E fico no frio, que vem do vazio e que me deixa no fio da navalha.
Que me corta carne, me corta o osso, dilacera a mente, mas deixa o caroço.
Se não, é o calor, que espalha o torpor, cozinha a flor, junto dessa gentalha.
É mesmo difícil para eu entender, e mais doloroso ainda de ver.
Toda essa descrença, todo esse sacrifício, todo esse sacrilégio.
Eu sinto o ódio, penso a Ignorância, e vivo a morte.
Tudo que espero é algo menos severo, um quê de sorte.
Mas de tanto esperar, deito gelado, até adormecer.
E de tanto dormir, de tanto sonhar, não vejo viver.
E vivo cansado, e vejo calado esse doer.
E sigo culpado, olhando pro lado, sem nunca ceder.
E ando para frente, olhando essa gente, querendo morrer.
Mas isso não é Vida, não é a saída, é apenas sofrer.
Quem sabe algum dia, talvez eu acorde.
Quem sabe algum dia, o mundo recorde.
Quem sabe algum dia, você...
Quem sabe nós...
Quem sabe...
Quem...

domingo, 28 de junho de 2015

Uma Pena, Eu e Você

Somos diferentes, você e eu.
Você, que tem orgulho de sua religião,
E eu, que busco outra forma de expressão.
Você, que prefere um cadeado bem fechado,
E eu, que não suporto tênis apertado.

Somos farinha de outro saco, eu e você.
Eu, com meus jogos de magia,
E você, que assiste novela todo dia.
Eu, que durmo tarde sem medo,
E você, que acorda todo dia cedo.

Somos de outra raça, você e eu.
Você, que se dedicou muito na escola,
E eu, que só queria jogar bola.
Você, com sua pele preta,
E eu, de amarelo na camiseta.

Somos engraçados, eu e você.
Eu, do meu jeito bem humorado,
E você, com seu sarcasmo afiado.
Eu, que te julgo pelos seus trejeitos,
E você, que em mim só vê defeitos.

Somos tristes, você e eu.
Você, que não tem tempo para gastar,
E eu, que uso o meu para pastar.
Você, que quer ter o mesmo que eu,
E eu, que só divido se for do seu.

Uma pena, eu e você.
Vivendo na mesma Vida,
Cheia de becos sem saída,
Gastando esse precioso momento,
Reclamando ao mesmo tempo.

terça-feira, 4 de novembro de 2014

O Presente

Olhos na multidão.
Meus olhos.
Seus olhos, não.
E olhando fico a procurar.
Para em seus olhos me encontrar.
E à beira do encontro, me vejo acelerar cada passo.
A adrenalina dos seus olhos e a endorfina do seu sorriso,
Afetam tudo o que faço.
E então, entorpecido me detenho.
A passos calmos e certos, decidido me mantenho.
E aproveitando cada segundo, flutuo em sua direção.
Até que, de repente, o anseio se desfaz,
E a neblina se esvai.
E ao meu redor tudo é luz,
Pois ao seu redor, tudo é paz.
E agora, nada é memória.
Nada é anseio ou devaneio.
Nada é passado.
Nada é futuro.
E tudo é.
Presente.

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Minorias

Somos todos minorias.
Minorias individuais, unitárias e sazonais.
Lutamos por nossos direitos, e temos o direito de estarmos certos.
Errados, nunca estamos. Afinal somos livres em uma democracia.
Isso nos permite clamar por todos os nossos direitos, um a um.
Enquanto isso podemos ignorar, pois somos livres, minorias não compartilhadas.
Pois são minorias diferentes.
Nós somos todos uma grande minoria.
A maioria, na verdade.
Todos nós, das minorias.
E dentro das minorias, somos maioria.
Maioria pois agimos todos como cada um.
E cada um age como si, para si.
E juntos, somos ninguém.
E por isso gostamos de ninguém, que não nós, minoria.
Nós que sabemos o que é melhor para a maioria.
Pelo menos para a maioria de nós.
Por isso temos mais direitos.
Principalmente o direito de exigir respeito sem respeitar.

Não é pedir demais.
Não é ilógico.
E é nosso direito.
Direito, direito, direito.
Essa é nossa nova moeda.
E já aviso, somos muito ricos.
Direitos é o que não nos falta.
Pelo menos na teoria.
Então cobraremos cada centavo do que é nosso.
É tanto dinheiro que não fazemos idéia do quão ricos somos.
Nem sabemos como usar nosso dinheiro.
Mas e daí?
O dinheiro é nosso.
Temos o direito de fazer o que bem entendermos com ele.

Também queremos mais espaço para nós, pois também merecemos.
Não importa de onde o espaço vai vir, desde que ele venha.
Afinal o espaço é vasto e o tempo, curto.
Não sabemos quem não tem espaço. E não nos importamos.
Nem queremos saber de quem vai perder seu espaço.
Mas nós, a minoria, queremos nosso espaço.

A maioria, que arrumem os direitos deles.
Nós, a minoria, não temos nada a ver com isso.
E até vamos ficar felizes com o que eles conseguirem conquistar.
Eles também tem alguns direitos.
Mas não os nossos, claro.
Nossos direitos são nossos.
Fomos nós que os conquistamos.
Conquistamos com muito suor e muita luta.
E assim seguimos, todos.
Uma maioria de minorias.
E assim somos nós.
Somos sós.
Se formos.
Senão, só.

terça-feira, 29 de julho de 2014

E Assim Se Fez a Eternidade

De algum lugar qualquer, ou de lugar nenhum, retorno,
Na esperança de algo encontrar. Sóbrio, ébrio, sorrindo sério.
Mas nada vejo, nada encontro, e me lembro de quem estou no momento.
Sentindo todos meus pensamentos, vivo todo instante, a cada momento atento.

Mas não há nada no que se reparar, não há mais nada o que esperar.
Atento ou não, o que passou ficou, e não irá voltar.
Então me sento, no vazio do momento, e me ponho a pensar,
Que foi o pensamento que me trouxe sofrimento, e que me faz agora chorar.

A mais amarga lembrança, a mais cara lambança.
Desacostumado e carente de atenção, cego e embriagado pela emoção,
Não soube agir diante da situação, um amor completo em minha mão.
E assim, como Terezinha, assustado disse não.

Um não incerto, um não decisivo, definitivo, indeciso.
Mas um não. Um não categórico. Desencontrado e seguro.
Um não, apressado, repentino, assustado, desacreditado.
Um não simplesmente covarde e imaturo.

Como posso então, voltar, se no agora não irei te encontrar?
Isso me faz questionar em que mundo me encontro, a vagar.
Voltar e lembrar de ti, no presente de um tempo passado.
Seguir e esquecer de ti, no futuro de um presente amargurado.

Pensar em não mais te tocar, faz meu coração sangrar.
Pensar em não mais te ver, faz meu espírito ceder.
Pensar em você feliz longe de mim, me deixa à deriva em um mar sem fim.
Mas me conforta saber que, onde estiver, está feliz, já se curou de sua cicatriz.

E  preso no agora, me assombram as lembranças de outrora.
Acorrentado ao passado e amarrado ao presente, o futuro é incerto, nublado, incoerente.
Existe, então, para mim um futuro ao qual esperar? Existirá Vida após a Vida?
Viajo então no presente, para tempos não tão recentes, tornando-me do tempo ausente.

E por vezes teimo nesse vazio me perder, me afogar nas lágrimas que tornam a verter.
Ilumino seu retrato em minha mente e olho seu sorriso, para sempre ausente,
Para me lembrar de te esquecer. Deixar passar o que não mais é Viver.
Aplacar essa dor insensível, insaciável, eterna, invisível.

E assim, comigo, concordo com meu eu dissidente,
Que da discórdia é rei, que chora de mim e ri consciente.
Que discorda de mim, discorda de ti e discorda de si.

Erros e mais erros, retornam para coletar seus dividendos.
E cada vez mais endividado, me faltam recursos para investir.
Me faltam conceitos a refletir. Me faltam esperanças de progredir.
E a Vida é isso, altos, baixos, conquistas e perdas inesquecíveis.

E assim se fez a eternidade.

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Retrato

E de algum lugar, lugar nenhum, retorno para casa contente.
Sóbrio, ébrio, rio-me sério, esperando encontrar algo diferente.
Mas chego e nada além da consciência de quem estou no momento.
Sentindo todo pensamento, vivo todo instante à cada momento atento.

E assim, preso no agora, me assombram lembranças de outrora.
Voltar para não te encontrar põe minha mente a vagar.
Viajo então no presente, para tempos não tão recentes.
Assim me pego nesse tempo latente, ausente.

E para nesse vazio não mais me perder,
Mantenho seu retrato pendurado em minha mente,
Para me lembrar de te esquecer, te libertar de mim.

Não mais choro, nem me desespero por tua ausência.
Não me pesam mais meus erros, por mais inocentes ou indecentes.
Nem me enchem de orgulho meus acertos, não mais presentes.

Me resta a felicidade de ter tido em ti algo, que não procurava,
E assim, por consequência, esse algo não achava.
Me restam agora os sorrisos de tudo que foi bom,
E a leve tristeza do que poderia ter sido e não foi.

Mas carrego em mim a certeza de ter vivido,
De verdade, uma Vida a mim desconhecida.
E, mesmo que breve, muito querida.

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Guerra

Guerra interna, guerra eterna. O certo, o errado. O meu certo, o meu errado. Minha mente em constante rebeldia. Para cada decisão, uma guerra fria. Uma luta atemporal, valendo o controle mental. Briga racional entre os sentimentos e o sentimental.

Nada

Cabeça cheia, cheia de nada... Cabeça vazia, vazia e desfocada... Erros. Mais erros que acertos. Erros que consomem tempo, Erros que consomem alma. Vivendo e aprendendo, é o que dizem. Vivendo é garantia, já que morto não estou. Mas sigo aprendendo, se errando por aí vou? Vivendo e errando talvez seja mais apropriado. E tudo bem, tudo certo. Água mole em pedra dura, tanto erra até que acerta. E assim sigo errando, sigo vivendo. E a cabeça continua cheia. E com tanta coisa, nada. E o tempo todo, tudo. E ainda assim, nada. Não é confusão. Não é nada.

domingo, 13 de abril de 2014

Passagem

Carrego uma ferida em meu peito,
Que de doer e sangrar me deixou caduco.
Machucado que não sara de nenhum jeito,
Quando a casca forma, a arranco, a cutuco.

Uma ferida tão recente, dolorosa e latente.
Que me marca e me queima.
Que em meu coração reina.

Um vazio profundo e inesperado,
Um anseio desesperado, nunca imaginado.
Um sentimento incômodo, sem premissa.
Uma razão irracional, pensamento, ideia fixa

Um futuro impossível e inexistente.
Em cada dimensão ele está ausente.
Um buraco negro, enorme e denso.
Que me consome se sinto ou se penso.

Que posso eu senão me conformar?
Como não me deixar levar?

Com a cabeça na superfície, tento em vão respirar.
Afogado em meus devaneios, me pesa o mundo inteiro.
A mente travada, o tudo, o nada, não consigo voltar.
E tudo se confunde, o passado imaginado e o verdadeiro.

Afogado em fantasias reais, realidades ideais, me paraliso por inteiro.

Sempre em frente, é o único jeito.
A direção muda, mas nunca o sujeito.
Na incerteza da Vida, só me resta tentar.
Sem mais desculpas, sem mais pesar.

Para o alto e avante.
Sem memórias de elefante.
Pois o que valeu, agora faz parte de mim.
Não preciso lembrar do que me fez assim.
Guardar o que gostou, podar o que sobrou.
E ai de mim, se não gostar do que agora sou.

Pois se não gosto, preciso me reinventar.
Deixar o que não me gosto, parar para respirar.
E dia a dia, a paz há de retornar,
E dentro de mim, a felicidade tornarei a encontrar.
Assim, deixarei de pedir ao universo, deixarei de esperar.
E assim tornarei a sorrir alegre e, triste, tornarei a chorar.