Valores, números, sempre errados.
Tratamentos escusos de seres reclusos.
Relações desiguais, forjadas no interesse, nada mais.
Negociatas de milhões, confiscando quinhões, ignorando emoções.
E quem sente é fraco, na mesa de almoço é o mais cobiçado prato.
E o sofrimento é mascado, é saboreado, e cuspido.
E o mínimo, despido, é desconsiderado.
Ou se tem muito, ou se é comprado.
O que se valoriza é a mercadoria, mas apenas se ela for fria.
Se tiver sangue, e quente, é tratada como gente.
E gente, bem se sabe, tem tanta que nem cabe.
Não está no pensamento, e claro, não cabe no orçamento.
Sangue, só se for o frio, o azul, o vazio.
Aí sim é apreciado, tal qual iguaria no mercado.
Ou se nasce com ele, ou se compra, se puder.
Se não puder, azar o seu, alguém tem de construir o coliseu.
Mas logo isso passa, se esquece.
Ah, se eu pudesse!
Mas só pode quem tem.
E eu, bem, eu não tenho.
quinta-feira, 27 de abril de 2017
terça-feira, 18 de abril de 2017
Homenagem
Sua Linda, pois minha não és.
És apenas, Linda, dona dos próprios pés.
És sua e de mais ninguém.
Não a tenho mais do que me tem.
De cabelo comprido, curto ou mais curto ainda.
Linda, careca, boneca, mulher, menina.
Simples, sem tempo ruim, sabe viver sem frescuras.
Direta, sem rodeios, sabe ir atrás do que procura.
Para ela, o mundo deu muitas voltas.
Viveu de tudo um pouco e sempre se virou.
Andou por algum tempo, sem querer, por ruas tortas.
Pegou caminhos sinuosos, e os endireitou.
Às vezes se questiona sobre o futuro,
Pois sabe bem como o destino pode ser duro.
Às vezes se prende demais ao passado,
E revive as coisas que deram errado.
Mas sabe bem que a Vida é mais do que isso,
Sabe que pode viver sem grande compromisso.
E monta seus sonhos na simplicidade.
E assim viverá a felicidade.
Enfrentando seus medos e receios,
Encontrará seu futuro sem rodeios.
E vivendo a Vida de forma aguerrida,
Será, aonde quer que for, sempre querida.
Findo aqui minha singela homenagem,
Cumprindo esse papel de humilde emissário,
Para entregar esta pequena mensagem,
E lhe desejar um feliz aniversário.
És apenas, Linda, dona dos próprios pés.
És sua e de mais ninguém.
Não a tenho mais do que me tem.
De cabelo comprido, curto ou mais curto ainda.
Linda, careca, boneca, mulher, menina.
Simples, sem tempo ruim, sabe viver sem frescuras.
Direta, sem rodeios, sabe ir atrás do que procura.
Para ela, o mundo deu muitas voltas.
Viveu de tudo um pouco e sempre se virou.
Andou por algum tempo, sem querer, por ruas tortas.
Pegou caminhos sinuosos, e os endireitou.
Às vezes se questiona sobre o futuro,
Pois sabe bem como o destino pode ser duro.
Às vezes se prende demais ao passado,
E revive as coisas que deram errado.
Mas sabe bem que a Vida é mais do que isso,
Sabe que pode viver sem grande compromisso.
E monta seus sonhos na simplicidade.
E assim viverá a felicidade.
Enfrentando seus medos e receios,
Encontrará seu futuro sem rodeios.
E vivendo a Vida de forma aguerrida,
Será, aonde quer que for, sempre querida.
Findo aqui minha singela homenagem,
Cumprindo esse papel de humilde emissário,
Para entregar esta pequena mensagem,
E lhe desejar um feliz aniversário.
terça-feira, 28 de junho de 2016
Ensaio Sobre a Cegueira
Eu mesmo ando dormente.
Sinto algo incômodo, latente.
Um vazio que me toma quando saio de mim.
Quando olho em volta e vejo tudo assim.
Um vazio que me assola quando volto para dentro.
Que transborda minha mente, em meu peito.
Um sentimento crescente, incessante, indecente.
Uma enchente que me lava a alma e leva embora a alegria.
Deixando apenas uma única vontade, a de nascer outro dia.
Pois hoje só se separa, só se dispara, mas nunca se para.
E o amanhã se escancara, se encara, mas não se repara.
E fico no frio, que vem do vazio e que me deixa no fio da navalha.
Que me corta carne, me corta o osso, dilacera a mente, mas deixa o caroço.
Se não, é o calor, que espalha o torpor, cozinha a flor, junto dessa gentalha.
É mesmo difícil para eu entender, e mais doloroso ainda de ver.
Toda essa descrença, todo esse sacrifício, todo esse sacrilégio.
Eu sinto o ódio, penso a Ignorância, e vivo a morte.
Tudo que espero é algo menos severo, um quê de sorte.
Mas de tanto esperar, deito gelado, até adormecer.
E de tanto dormir, de tanto sonhar, não vejo viver.
E vivo cansado, e vejo calado esse doer.
E sigo culpado, olhando pro lado, sem nunca ceder.
E ando para frente, olhando essa gente, querendo morrer.
Mas isso não é Vida, não é a saída, é apenas sofrer.
Quem sabe algum dia, talvez eu acorde.
Quem sabe algum dia, o mundo recorde.
Quem sabe algum dia, você...
Quem sabe nós...
Quem sabe...
Quem...
Sinto algo incômodo, latente.
Um vazio que me toma quando saio de mim.
Quando olho em volta e vejo tudo assim.
Um vazio que me assola quando volto para dentro.
Que transborda minha mente, em meu peito.
Um sentimento crescente, incessante, indecente.
Uma enchente que me lava a alma e leva embora a alegria.
Deixando apenas uma única vontade, a de nascer outro dia.
Pois hoje só se separa, só se dispara, mas nunca se para.
E o amanhã se escancara, se encara, mas não se repara.
E fico no frio, que vem do vazio e que me deixa no fio da navalha.
Que me corta carne, me corta o osso, dilacera a mente, mas deixa o caroço.
Se não, é o calor, que espalha o torpor, cozinha a flor, junto dessa gentalha.
É mesmo difícil para eu entender, e mais doloroso ainda de ver.
Toda essa descrença, todo esse sacrifício, todo esse sacrilégio.
Eu sinto o ódio, penso a Ignorância, e vivo a morte.
Tudo que espero é algo menos severo, um quê de sorte.
Mas de tanto esperar, deito gelado, até adormecer.
E de tanto dormir, de tanto sonhar, não vejo viver.
E vivo cansado, e vejo calado esse doer.
E sigo culpado, olhando pro lado, sem nunca ceder.
E ando para frente, olhando essa gente, querendo morrer.
Mas isso não é Vida, não é a saída, é apenas sofrer.
Quem sabe algum dia, talvez eu acorde.
Quem sabe algum dia, o mundo recorde.
Quem sabe algum dia, você...
Quem sabe nós...
Quem sabe...
Quem...
domingo, 28 de junho de 2015
Uma Pena, Eu e Você
Somos diferentes, você e eu.
Você, que tem orgulho de sua religião,
E eu, que busco outra forma de expressão.
Você, que prefere um cadeado bem fechado,
E eu, que não suporto tênis apertado.
Somos farinha de outro saco, eu e você.
Eu, com meus jogos de magia,
E você, que assiste novela todo dia.
Eu, que durmo tarde sem medo,
E você, que acorda todo dia cedo.
Somos de outra raça, você e eu.
Você, que se dedicou muito na escola,
E eu, que só queria jogar bola.
Você, com sua pele preta,
E eu, de amarelo na camiseta.
Somos engraçados, eu e você.
Eu, do meu jeito bem humorado,
E você, com seu sarcasmo afiado.
Eu, que te julgo pelos seus trejeitos,
E você, que em mim só vê defeitos.
Somos tristes, você e eu.
Você, que não tem tempo para gastar,
E eu, que uso o meu para pastar.
Você, que quer ter o mesmo que eu,
E eu, que só divido se for do seu.
Uma pena, eu e você.
Vivendo na mesma Vida,
Cheia de becos sem saída,
Gastando esse precioso momento,
Reclamando ao mesmo tempo.
Você, que tem orgulho de sua religião,
E eu, que busco outra forma de expressão.
Você, que prefere um cadeado bem fechado,
E eu, que não suporto tênis apertado.
Somos farinha de outro saco, eu e você.
Eu, com meus jogos de magia,
E você, que assiste novela todo dia.
Eu, que durmo tarde sem medo,
E você, que acorda todo dia cedo.
Somos de outra raça, você e eu.
Você, que se dedicou muito na escola,
E eu, que só queria jogar bola.
Você, com sua pele preta,
E eu, de amarelo na camiseta.
Somos engraçados, eu e você.
Eu, do meu jeito bem humorado,
E você, com seu sarcasmo afiado.
Eu, que te julgo pelos seus trejeitos,
E você, que em mim só vê defeitos.
Somos tristes, você e eu.
Você, que não tem tempo para gastar,
E eu, que uso o meu para pastar.
Você, que quer ter o mesmo que eu,
E eu, que só divido se for do seu.
Uma pena, eu e você.
Vivendo na mesma Vida,
Cheia de becos sem saída,
Gastando esse precioso momento,
Reclamando ao mesmo tempo.
terça-feira, 4 de novembro de 2014
O Presente
Olhos na multidão.
Meus olhos.
Seus olhos, não.
E olhando fico a procurar.
Para em seus olhos me encontrar.
E à beira do encontro, me vejo acelerar cada passo.
A adrenalina dos seus olhos e a endorfina do seu sorriso,
Afetam tudo o que faço.
E então, entorpecido me detenho.
A passos calmos e certos, decidido me mantenho.
E aproveitando cada segundo, flutuo em sua direção.
Até que, de repente, o anseio se desfaz,
E a neblina se esvai.
E ao meu redor tudo é luz,
Pois ao seu redor, tudo é paz.
E agora, nada é memória.
Nada é anseio ou devaneio.
Nada é passado.
Nada é futuro.
E tudo é.
Presente.
Meus olhos.
Seus olhos, não.
E olhando fico a procurar.
Para em seus olhos me encontrar.
E à beira do encontro, me vejo acelerar cada passo.
A adrenalina dos seus olhos e a endorfina do seu sorriso,
Afetam tudo o que faço.
E então, entorpecido me detenho.
A passos calmos e certos, decidido me mantenho.
E aproveitando cada segundo, flutuo em sua direção.
Até que, de repente, o anseio se desfaz,
E a neblina se esvai.
E ao meu redor tudo é luz,
Pois ao seu redor, tudo é paz.
E agora, nada é memória.
Nada é anseio ou devaneio.
Nada é passado.
Nada é futuro.
E tudo é.
Presente.
Assinar:
Postagens (Atom)